sábado, 31 de julho de 2010

Hoje perdí um grande amigo. Passei alguns dos meus aniversários em casa, sòzinha com ele. Virei alguns anos, em casa, com ele. Ele era lindo !!!!!!!!!Foi um presente de um ex-namorado. O namorado se perdeu no tempo, mas Boomer ficou comigo. Era inteligente, altivo, amoroso. Eu o chamava de lorde porque era da raça Cocker inglês Seu pelo era dourado, assim como os seus olhos. Chegou a fazer shows em festas de aniversário de crianças, tal a sua agilidade e pendores artísticos. Doce, muito meigo. Com o tempo, já não fazia tantos shows nem mesmo em casa. Perdeu a audição e eu tratava da sua perna esquerda que aos poucos foi perdendo as forças e ele mancava, já não pulava nas escadas, já não podia se exibir pelas ruas do meu bairro. Caiu duas vêzes na piscina e eu, intuitivamente, corria para vê-lo só para matar a saudade, no meio da noite. Deparava com ele na água, se batendo sem conseguir sair. Aquecia o náufrago com toalhas, secador de cabelo e lhe oferecia um leite quente. Enrolado em cobertor, ele dormia . Na segunda vez, também no meio da noite, ele chegou a ficar meio petrificado com a água gelada neste inverno. Mas , consegui recuperar as suas forças e dai em diante, ele só dormia dentro de casa, na lavanderia. Mas nesta última noite, ele dormiu fora. Quando fui aquecer o leite para lhe dar pela manã, vi uma sombra parecida com uma folha na piscina. Tive medo de olhar. Gritei para o meu filho que correu para constatar a tragédia. Boomer morreu afogado. Ele já era idoso. Tinha 14 anos . Para cachorro, muito mais. Agora ele está a caminho do cemitério de cães, onde São Francisco recolhe as almas dos animais que passarão acompanhá-lo nos jardins do paraiso. Eu tenho certeza de que cachorros tem alma. A minha, hoje, está despedaçada. Muita gente não entende este sentimento de perda de um animal. Com certeza, estas pessoas não tiveram a graça de conviver com um amigo , tão especial, que nos tira um pedaço do coração quando nos deixam. Ainda bem que eternizei Boomer em telas, com retratos que dele pintei. Fará parte da herança que deixarei para os meus filhos. Realmente, eu amava o Bommer e ele me fará muita falta.